por Otto Cerqueira Comentários




Vocês já devem estar sabendo da nova lei que anda enraivecendo, com razão, a vida dos gamers. Acontece que o deputado Kalil Sehbe, do PDT, quer simplesmente proibir o comércio de qualquer jogo violento, além de bani-los das lan-houses. Sim, a volta do aclamado Counter-Strike foi apenas uma miragem.

O argumento é o seguinte: Nós não temos inteligência suficiente para discernir entre realidade e ficção. Simples, não? E claro, como os games aumentam nossa violência, proibi-los melhorará a educação do país... Ora, vejam só! No fim, a culpa da nossa péssima qualidade de ensimo eram os games violentos! Como pude não perceber antes?

A notícia chegou nos Estados Unidos nos mais diversos sites de games, entre eles Edge, Joystiq e Game Politics. Mesmo por lá há uma indiginação quanto a lei. Na Edge, por exemplo, o usuário "savagehenry" disse:

Há tantos problemas no Brasil, acredito que deveriam dar uma olhada em suas prioridades.

Pois é!

Semana passada, no SBT, assisti o programa Pegadinhas Picantes. Que passa às 22h (acredito que todos dias) que faz supostas piadas, extremamente estúpidas, onde o foco é mostrar seios e cenas pervertidas. Claro, não há problema com isso! Acho que todas as crianças do Brasil já viram seios agora. Ou vai dizer que 22h é horário impróprio para menores?

Esse senador tem uma das maiores visões mitológicas e arcaicas acerca dos videogames. Os games - assim como as séries, os filmes, os quadrinhos, livros e etc - não tornam ninguém violento. As tentativas de dizer que são, como esta noticiada pela Yahoo, se mostraram falhas e inseguras.

O caráter de uma pessoa é formado pelo ambiente em que vive e pelos amigos que tem, e cabe aos pais criar limites para que seus filhos saibam distinguir entre o certo e o errado. Ninguém se torna violento após jogar videogame a não ser que esteja predisposto a isso. Por exemplo, digamos que a pessoa tenha tido uma má educação e que seus amigos são violentos e todos fanáticos por futebol. O que pode acontecer nesse caso? Provavelmente uma terrível torcida organizada! Ou seja, mesmo com algo saudável como o futebol, nada impede que pessoas má intencionadas pratiquem violência com isso, mas, isso não significa que é culpa do esporte elas serem assim. Deu pra entender?

Mesmo Harvard já mostrou que games violentos não tornam jovens agressivos.

É uma extrema estupidez banir todos os jogos violentos. Em última instância, deveriam colocar faixas etárias para tais jogos "violentos". Pior que a Venezuela está seguindo o mesmo caminho...

Por fim, vamos dizer que essa lei não vai dar em nada. Mesmo os comentaristas dos sites americanos sabem que o Brasil não tem infra-estrutura suficiente para mercado de games. Tudo vai continuar sendo pirateado como antes, muitas lan-houses burlarão as regras, e... só.

Na verdade, creio inclusive que a lei aumentará o comércio ilegal de jogos e afastará uma boa parte dos possíveis interessados no mercado brasileiro de jogos.

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