por Otto Cerqueira Comentários



Some of them want to use you. Some of them want to get used by you.

Quando vi pela primeira vez o anúncio do filme Gamer me senti automaticamente tentado a assisti-lo. A diferença estava na raridade que é encontrar um filme com temática gamer levado a sério. Isso é, além de trazer Gerard Butler (O Leônidas de 300) e Michael C. Hall (Protagonista do seriado Dexter) nos papéis principais.

A história se passa em um futuro próximo onde Ken Castle (Michael C. Hall) criou um sistema insano e revolucionário onde se paga para controlar pessoas (contratadas) como se fossem personagens de um videogame. O primeiro jogo lançado é chamado Society, uma espécie de Second Life, mas com pessoas reais que obedecem inconscientemente quaisquer desejos do jogador.

Então veio Slayers. Dessa vez, condenados tornam-se avatares de um game de tiro em primeira pessoa sanguinolento, com direito a cidades-telas, helicópteros e explosões reais. A cada semana uma nova fase começa, e o condenado que sobreviver até o nível trinta terá como recompensa a liberdade, não que alguém já tenha conseguido. Mas John Tillman (Gerard Butler), conhecido pelo codinome Kable, pode ser o primeiro a mudar seu destino graças às habilidades do player Simon, um garoto riquinho de 17 anos.

Do lado de fora, estes jogos acarretaram uma profunda mudança no entretimento mundial; mas Humanz, um grupo rebelde, pretende desmascarar os verdadeiros objetivos de Castle para a sociedade. Para isso a ajuda de Kable é fundamental, e o único meio de contatá-lo é através de seu jogador.

O desenrolar do filme mostra como Kable tenta sobreviver seguindo as instruções dos Humanz, para que assim possa voltar à sua esposa que trabalha como personagem de Society.

Gamer começa num ritmo acelerado embasado por uma boa trilha sonora. A música tema “Sweet Dreams” (a versão cover do Marilyn Manson), foi uma boa escolha, pois como rock o mundo gamer do filme se torna mais adulto, e a letra casa com o contexto da história.

A ação chega a lembrar jogos de guerra como Call of Duty, só que há ainda mais caos e explosões. Os efeitos são bons, mas deveriam ser menos tecnologizados para ficarem mais reais. E há quem reclame de câmeras balançando durante cenas de ação; eu já estou acostumado com isso graças a filmes como Cloverfield (que usava esse recurso de forma bem exagerada aliás).

Quanto às interpretações, fica difícil dizer se foram boas ou ruins. Digo, Gerard Butler é um daqueles badass como Schwarzenegger e Vin Diesel que possuem as mesmas expressões para todos os filmes, então, basicamente, Kable é uma variação do Leônidas. Já o Ken Castle é idêntico ao Dexter em seus momentos de loucura.

O legal do filme é a abordagem que ele dá. Já lhe digo que de infantil ele não tem nada. Há elementos cyberpunk, nudez, e também cenas loucas (no melhor sentido da coisa) como o de pessoas agindo roboticamente. Com isso o filme pretende criticar o abuso do homem na tecnologia e as consequências que isso traz. É uma premissa bem interessante, e só não digo que é um roteiro totalmente original porque já existem filmes como O Sobrevivente.

Infelizmente com o tempo Gamer se perde por não misturar bem a ação com os “momentos de sono”, pois dão cansaço as falas do filme. Enfim, é um filme razoavelmente bom, mas que poderia ter ganhado o título de honra gamer se fosse melhor aproveitado. Só não espere muito do final.