por Otto Cerqueira Comentários





"We are the most advanced military force in the world"

Vive sobre o gênero dos tiros em primeira pessoa um mito que diz que são todos iguais. Você anda, atira e fim. Para aqueles que acreditam nisso, fica claro que não chegaram a vivenciar a emoção que Call of Duty: Modern Warfare 2 traz.

Call of Duty é um nome consagrado que praticamente substituiu Medal of Honor no que se refere a simuladores de guerra; tanto que quando tiveram a ideia de tirar o título “Call of Duty” de Modern Warfare II,veio uma previsão de que venderiam pelo menos 20% abaixo do esperado. Frente à ameaça, deixaram o nome original. Resultado? Bateu recorde de vendas, com cerca de 4,7 milhões de vendas apenas no primeiro dia, superou as vendas de Grand Theft Auto IV e ainda foi parar no Guinness Book como jogo online mais popular.



Modern Warfare 2 se passa cinco anos após Call of Duty 4: Modern Warfare. Dessa vez você não joga mais com “Soap” MacTavish, mas principalmente com Gary “Roach” Sanderson, sob as ordens de MacTavish, que foi promovido a Capitão da Força Aérea e lidera a Task Force 141, uma força-tarefa multinacional. O objetivo é derrotar Vladimir Makarov, novo líder do grupo terrorista que explodiu uma bomba nuclear no título anterior.

As telas são contadas paralelamente entre as terras gélidas da Rússia, os combates as milícias no Afeganistão, protegendo os Estados Unidos, e capturando o vendedor de armas Alejandro Rojas nas favelas do Rio de Janeiro. Em cada história você atua como um personagem diferente, e no fim as diferentes operações fecham a história, que não é lá grande coisa.



Uma constante crítica do público vai para o abuso de uma fase em um aeroporto russo onde você joga como o vilão. Nessa tela, você simplesmente mata toda e qualquer pessoa sem quaisquer motivos a não ser mostrar a crueldade dos inimigos. De forma preventiva, o jogo conta com a opção de pular partes ofensivas como essa já de início de jogo.

Uma das críticas veiculadas aqui no Brasil foi feita por parte da delegada Helen Sardenberg, que diz que “o jogo passa a pior imagem possível do Rio de Janeiro”. Ela defende que o jogo não faz jus a política de como se age na favela (por exemplo, na realidade não se pode usar granadas para não por em risco os civis) e que as favelas não são centros de guerra como mostrado.



Bem, para ela que ainda não entendeu que isso é um jogo, falta que ela inspecione os nossos filmes mais conhecidos como Cidade de Deus, Carandiru e Tropa de Elite. A imagem passada no jogo não é nada mais nada menos do que aquilo que nós mesmos passamos. Quantos países já não foram palco de guerra? Em Cysis você derrota coreanos, mas você os ouve a Coréia reclamar? São como nos filmes de destruição onde já quebraram a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel incontáveis vezes, mas quando mostram o Cristo Redentor ruindo no filme 2012, vem logo uma chuva de críticas de pessoas que não sabem distinguir as coisas.

E por falar em filmes, Modern Warfare 2 é um espetáculo hollywoodiano. Não apenas por sua incrível beleza gráfica e a suavidade com que roda (muitas vezes jogos visualmente piores conseguem ser mais pesados), mas sua esplêndida realidade de cenários e movimentação de personagens. Talvez por ser brasileiro, fiquei principalmente perplexo com a realidade das favelas do Rio, onde você nota a elevação das ruas, as roupas balançando no varal, as casas amontoadas uma em cima da outra, enfim... Tudo. Mas o mais importante de tudo está nos finais de cada missão, criativos e revigorantes.

O som é também excelente. Cada tela tem um tipo que mistura sons de guerra com outros típicos da nação em que você está. Não obstante, os diálogos são inteligentes. Por exemplo, quando se ouve alguém gritando que está recarregando, outro se prontifica a ficar do seu lado e o cobrir por alguns instantes.



Call of Duty: Modern Warfare II foi uma aposta. Saíram da linha de guerras antigas, e o trouxeram para 2016 com tecnologia e força bélica de primeira. E com isso a Infinity Ward conseguiu um jackpot merecido. Um jogo essencial para os amantes de FPS.