Ico

por Otto Cerqueira Comentários




É realmente difícil criar uma nova abordagem na área dos videogames. Muitas vezes os jogos se tornam tão estereotipados - em uma frenética corrida por gráficos mais realistas - que se esquecem de coisas mais importantes, como a inovação. Há mais de dez anos atrás, Fumito Ueda e Kenji Kaido estavam bem à frente do seu tempo. Eles queriam algo novo... Que prendesse o jogador e fosse minimalista. Destas mentes surgiu Ico, simplesmente um dos jogos mais épicos do PlayStation 2.

Ico é um jogo bastante simples. Suas ações pouco se diferenciam de outros jogos de plataforma. Você pula, escala lugares, move objetos, puxa alavancas... Os gráficos também não são primorosos. Isso porque na época que Ico era só um feto numa mente brilhante (1997), ele era previsto para ser lançado para o PlayStation, mas o console não estava estruturalmente preparado para o jogo, então a decisão certa e perigosa era adiar para lançá-lo no PlayStation 2, o que aconteceu em 2001.

Então, o que torna Ico tão épico? Bem, o foco de tudo está na arte. Quando pensaram em Ico a ideia era: um garoto que ajuda uma garota. Só. A ideia foi sendo desenvolvida e logo se transformou numa história de um garoto com chifres que por esse mesmo motivo é visto como mau presságio pela sua vila; então é levado por homens encapuzados até uma fortaleza para ser preso num sarcófago e sacrificado pela Rainha. Mas por sorte ele se aproveita de um pequeno terremoto para balançar o sarcófago onde estava preso, fazendo com que ele caia e abra.



Agora livre, você começa a jogar. Nenhum tutorial é passado para mostrar-lhe o caminho. Tampouco é preciso. Você logo descobre que o círculo é o botão de ação, triângulo para pulos e com X você desce.
Preso do lado de dentro, Ico começa a explorar o local, até que no topo de uma escadaria em espiral vê uma sombra enjaulada. Ele a ajuda a se libertar e ela se mostra uma delicada garota, de pele albina e cabelos cinzentos, que fala uma língua incompreensível.

Por alguma razão, sombras vivas (como a forma anterior da garota) vem atrás dela e tentam colocá-la num buraco negro que serve como portal dimensional. Mas você se mune de um pedaço de pau e dissipa as sombras (com o botão quadrado), salvando-a. A partir de então Ico precisa encontrar um meio de fugir da fortaleza com a garota. No entanto isso não será tão fácil, afinal, você precisa protegê-la. Ela é indefesa e com dificuldade consegue seguir seus passos. Ou seja, se você pular da metade de uma ponte quebrada para outra, ela não conseguirá fazê-lo a não ser que você (do outro lado) estenda a mão e a segure durante o salto. Todas as interações com ela são feitas com o R1, e se prepare para usá-lo... Você segurará na mão dela por quase todo jogo, e acredite, isso não é cansativo.

Você também não pode deixá-la muito distante, caso contrário as sombras virão em seu encontro, e estas ficam cada vez mais difíceis e numerosas no decorrer do jogo. Há pontos perigosos, onde as sombras estão presentes, e é inevitável o confronto.

Os cenários de Ico são grandes e, muitas vezes, belos. Os sons são poucos porém eficazes, criando todo um clima de paz e tranquilidade.

Mas enfim, o que faz você querer jogar esse jogo? Bem, isso vai além de seus puzzles ou de enfrentar os inimigos. Quando você joga Ico se lembra daquelas histórias que ouvia quando criança e que te faziam imaginar um mundo fascinante. Por exemplo, mais tarde você descobre que o nome da garota é Yorda e que as sombras que os perseguem eram outros garotos com chifres como o Ico que foram sacrificados pela Rainha. De qualquer forma, é um jogo que prende por criar um amor platônico entre os personagens. Você sente a tensão de ter que proteger alguém e fugir o mais rápido que puder.

Ico é o primeiro jogo da série. Não obteve significante quantidade de vendas, mas fez um estupendo sucesso de crítica e público, sendo muitas vezes considerado mais arte do que propriamente um jogo. Tanto que rendeu os jogos Shadow of the Colossus (2006, PS2) e The Last Guardian (a ser lançado em 2010, PS3).