por Otto Cerqueira Comentários



Black é aclamado como um dos melhores, ou o melhor, jogo de FPS para PlayStation 2. Será que merece tanto?

A história é contada através de cutscenes cinematográficas antes do início das fases. Elas são muito bem feitas e dão um toque diferencial ao jogo. Você encarna Jack Kellar, um soldado especial da CIA que foi detido após descumprir diversas ordens, e agora está sendo investigado por um agente do governo que deseja saber sobre os ocorridos na missão Seventh Wave. Kellar justifica as ações tomadas e você vivencia essa narrativa.

Visualmente, Black é deslumbrante em cada mínimo aspecto. Por ter sido lançado em 2006, a Criterion procurou se esforçar e usar o máximo potencial do PlayStation 2 e Xbox, com o devido sucesso. Os detalhes das armas são belos; mesmo as balas delas são bem trabalhadas. O game possui uma mecânica “pré-physis”, ou seja, muitas coisas dos cenários podem ser totalmente despedaçadas. Mesmo as paredes onde os inimigos se escondem podem ser quebradas e há sempre algo para se explodir no caminho. Além disso, o jogo tem o interessante detalhe de deixar o cenário fora de foco enquanto se recarrega a arma. Apesar de ter algumas texturas que se mexem ligeiramente, não há nada a citar como defeitos nesse quesito.



A parte sonora também não peca em nada. O som das balas e explosões é muito convincente. É o tipo de jogo em que, se possível, deve ser utilizado um som surround de forma a amplificar a experiência e ouvir os sons que o áudio comum não permite.

A jogabilidade é simples e eficaz. Baseando-se praticamente em tiro, granada, mira e heal. Não tem como se perder. Pena que o jogo pecou em não colocar um botão de ação, pois para abrir uma porta, por exemplo, se você não tiver uma arma de qualidade precisará usar uma granada para abri-la.

Nas telas onde você tem parceiros na equipe, eles não fazem nada além de atirar vez ou outra e esperar você limpar o caminho, defeito frequente em jogos FPS antigos. A inteligência artificial dos inimigos é simplória demais. Tudo o que vão fazer é atirar, nem sequer se preocupando de estarem atrás de um barril explosivo.



Talvez como forma a compensar essa falta de inteligência dos inimigos, o jogo usa e abusa deles. Os inimigos chovem de todos os cantos todo o tempo. A ação é incessante e pode ser muito difícil passar de uma tela. Muitas vezes é preciso o máximo de atenção para não ser atingido por uma rajada de balas e lança-foguetes.

Há três principais problemas com Black. O primeiro diz respeito à falta de estratégia do jogo. É completamente inútil ter uma arma silenciadora, pois os inimigos vão te ver de qualquer jeito. O segundo problema provém da enorme distância entre um checkpoint e outro; pode ser tão cansativo que caso você perca, vá preferir adiar pra jogar mais tarde. E por último, a falta de variações durante o jogo. Não há qualquer missão em que você não passe só atirando nos inimigos do começo ao fim.

À parte desses pequenos erros que somente jogadores criteriosos ligam, Black é sem dúvida um jogo fenomenal. É desafiante, divertido e viciante. Tem uma duração normal (sete telas de aproximadamente quarenta minutos cada, na dificuldade normal) e é indicado para os momentos onde você só quer pegar o controle e mergulhar dentro do jogo.