por Otto Cerqueira Comentários

É, a hora chegou. Há uma hora na vida que temos de enfrentar nossos maiores medos, nossos maiores desafios, e seguir em frente. O meu é conseguir assistir Street Fighter: A Lenda de Chun-Li. Sim, do começo ao fim, sem dormir no processo.

 

Street Fighter, mais um ícone dos videogames em versão cinematográfica... Depois do fracasso sem precedentes do filme de 1994, esse ao menos terá um pouco de problema pra conseguir o pior filme da série. Dessa vez o nome de Chun-Li está em jogo.

 

Aaah, Chun-Li, a beleza oriental. Forte, sedutora, graciosa e ao mesmo tempo com aquela aura de poder que afasta os malandros por pelo menos três metros de distância...

 

Estou um tanto curioso pra saber quem terá essas qualidades.

 

Já vou avisando que essa é uma análise diferente e um completo spoiler.

 

Quem não sabe o que é um spoiler, eu também não vou contar pra não estragar a surpresa.

 

Agora que sabem, podemos começar.

 

Não adianta colocar o mouse em cima que não vai ter nada escrito.

Tá, pra começo de conversa, de onde tiraram “A Lenda de Chun-Li”? Desde quando a Chun-Li é uma lenda? Droga, desde quando ela se envolve com uma lenda?

 

Não é como se a Chun-Li fosse um dragão mitológico chinês!

 

...

Daqui pra frente não terá mais.

 

Ok, após a apresentação que mostra o logo da Capcom com um som de “Hadouuuken” e o título, temos uma doce cena fraternal com Chun-Li no piano e seu pai observando com um pouco de sono.

Não é por nada não, mas essa menina é bem feinha, não acha?

 

...

 

Então essa menina e sua família RICAÇA se mudam pra Hong Kong, e temos uma cena incrivelmente clichê dela observando seu papi no treinamento.

 

Última vez.

 

Me pergunto se todos os mestres de artes marciais só sabem fazer o mesmo movimento. Depois de Karate Kid, todos os roteiristas carentes de criatividade decidiram fazer uma cena de treino semelhante.

 

Pois bem, Chun-Li está vendo seu papi quando ele subitamente pergunta se ela não quer aprender a dar porrada, ela aceita, e assim começam. Agora já sabem, não tem nenhum motivo em especial pra Chun-Li saber arrancar os olhos dos inimigos com as mãos, ela simplesmente estava sem nada pra fazer, e falou “É, talvez seja uma boa”.

 

Mas tudo bem porque pouco antes nos é apresentada a mãe de Chun-Li.

 

Por Kratos! Ela é linda! Não aquela beleza vulgar, mas aquele sorriso simpático de comercial de escova de dente com um jeitinho carinhoso. Ah, ela merece uma homenagem. Vamos refazer a cena.

 

 

Agora sim, bem mais adequado. Como o chinesinho consegue ficar com ela? Ah, a mansão, verdade... Bom, ao menos agora tenho a esperança que a Chun-Li fique bonita quando crescer.

 

Continuando, o pai da Chun-Li - que eu não faço ideia do nome – vai petiscar na geladeira, quando DE REPENTE.

 

Uma flecha, cuidado! Esquive!

 

Veja o medo estampado no rosto.

 

E ele escapa.

 

E então aparece um negão de TWO METROS.

 

Ele procura por alguma coisa pra atirar nele, acha um suco de laranja enlatado... Suco de laranja enlatado?... e joga no negão, que agarra com a maior facilidade.

 

Olha, é ele! Eu lembro dele!

 

“O nome é John Coffey, senhor. Como o café, mas não se escreve igual não”

 

Ah, olha pra ele. Ele não tem cara de assassino, tem?

 

...

 

É, tem sim.

 

Ok, de café a latas de sucos de laranja, o Rei do Crime (em Daredevil), faz do chinesinho um pedaço de bife. Ao ponto de começar assim:

 

E terminar assim:

 

É...

 

Depois do negão ter jogado ele através da porta, o chinesinho começa a lutar com outros bandidos que estavam dando uma volta por lá. E isso me traz uma dúvida...

 

COMO DIABOS SE TACA FOGO NA PRÓPRIA MÃO!?

 

E veja só, ele se defende da corrente de um cara, e o fogo se alastra através da corrente, mas na mão dele funciona como uma luva! E é por isso que nunca entenderei artes marciais.

 

Depois do fogo ter sido magicamente apagado, ele é agarrado pelo negão (Hmmm...), e Chun-Li-Kid descobre que talvez o barulho na parte de baixo seja algo anormal, por isso vai verificar, e também é agarrada pelo negão.

 

...

 

Pelo braço, suas mentes poluídas!

 

Então o diabo entra na sala.

 

É o diabo mesmo, tem que ser. Não é só pela feiúra. Antes dele entrar surge um vento que faz voar os delicados cabelos da Chun-Li. De fato, é um vento tão forte que o negão tem de fechar os olhos. Ou talvez seja por causa da cara dele, quem sabe...

 

E então nos é revelado que o Diabo Branco de Olhos Azuis é na verdade... O BISON!

 

O BISON!

 

Ele é esse cara aqui.

 

Mas que merdas de atrofiações neurais estava acontecendo no cérebro de quem fez o cast desse filme?

 

MEU DEUS!

 

Raul Julia deve estar se contorcendo no caixão! Ele pode ter sido um péssimo Bison, mas ao menos era um Bison!

 

Agora, o que é isso? Olhem bem pra cara daquele Mauricinho e me digam se há a menor possibilidade dele servir pra interpretar o Bison.

 

Qualquer um com pelo menos seis anos diria “Você está completamente fudido da cabeça?”, mas não, eles TINHAM de fazer isso. É quase como se estivessem se esforçando pra nos irritar.

 

E, sim, crianças dizem isso quando não tem ninguém por perto, vai por mim.

 

Esse cara podia até servir pra ser o Abel, mas, Bison? Não... Simplesmente não. Me recuso a chamá-lo de Bison, daqui pra frente ele será o DEABO, fim de papo.

 

E só pra constar, aquele negão é o Balrog.

 

...

 

Oh, Deus, quanto tempo de filme já passou?

 

SEIS MINUTOS!?

TODA ESSA DECEPÇÃO COM SEIS MINUTOS DE FILME!?

 

Desculpem. Sei que agora terão de se esforçar pra dormir de noite graças aos pesadelos que esse filme traz. Mas continuemos, sim?

 

Prometo resumir mais.

 

O pai de Chun-Li é raptado, e ela fica extremamente possessa com isso.

 

 

Extremamente.

 

Em seguida nos é mostrado um flashback de suma importância pra vida de Chun-Li, onde ela ganha uma corrente com um pombo que gira. É uma corrente que simboliza que mesmo nas dificuldades o pássaro continua voando e blá-blá-blá... Mas essa cena de suma importância pra vida de Chun-Li é completamente inútil no resto do filme e por isso não vai ganhar print.

 

 

Há-há, bem feito!

 

...

 

Mas em compensação, agora vem o grande momento! O momento da consagração da diva da luta! A hora em que todos levantam e aplaudem toda a significância da Chun-Li e...

 

MAS QUE PEDAÇO DE MATÉRIA FECAL!?

ESSA É A CHUN-LI?

ISSO!?

 

Olha os braços dela! Cadê!?

 

Aliás, cadê tudo? Quem ressecou a Chun-Li?

 

Mas que falcatrua! Como ousam!?

 

...

 

Vamos a Chun-Li.

 

ESSA é a Chun-Li.

 

Claro, vocês tiveram que se afastar do monitor devido a imponência que a aura dela emana, mas já podem voltar pros seus lugares, ok?

 

No fundo no fundo, vocês sabem que ela não existe.

 

Sim, eu sei, é triste falar isso, mas é a verdade.

 

Aaah, Chun-Li, minha Bela Flor da Primavera, o que fizeram com você?

 

Eles se aproveitam do sucesso de vendas do quarto jogo e pisam em nós com esse pseudo Bison e essa pseudo Chun-li. Não, eles cospem na nossa cara, nos jogam na lama e então pisam em nós! Por que o mundo é tão cruel?

 

...

 

Tá, a emice termina por aqui.

 

Logo depois do concerto de piano, ela recebe no camarim um pergaminho muito instigante... Muito... Pra valer... Você verá que não estou exagerando mais pra frente.

 

Depois a Chun-Li vai embora junto com sua amiga que está dizendo:

“Eu dei meu telefone pra ele no concerto. Não sei se ele vai ligar, mas... Quer uma carona?”, o que deve ser uma das mais bruscas cortadas de assunto da história.

 

Chun-Li que desconfia da embriaguez da amiga recusa e vai de metrô, mas não sem antes ver um velinho muito instigante... Muito... Pra valer... apanhando de uma gangue de rua. Ela vai verificar se o pobre coitado está bem, e vê que há uma tatuagem em sua mão, que é o que o torna instigante.

 

Bom, Chun-Li chega a seu destino que é a casa de sua mãe adoecida.

 

Por que tinham que adoecer a mãe dela? É o único ponto positivo do filme!

 

Ah, façam-me o favor!

 

Não vou mostrar a mãe dela doente, vamos ficar com a homenagem que fizemos pra ela. Aliás, deixa eu subir para vê-la mais um pouco.

 

...

 

Cara, ela é linda...

Oh, puxa...

 

...

 

Bem, enquanto isso, na base de Shadaloo em Bangkok, o DEABO está realizando um jantar muito muito maligno onde anuncia que todos os outros membros serão transformados em pó há menos que se unam a ele, o mais novo líder.

 

Obviamente todos o mandam tomar em sua devida retaguarda e vão embora, mas na saída o Vega está pronto para matá-los.

 

Oh, Deus, vão estragar mais um personagem em seguida. Deixa eu me preparar.

 

...

...

...

 

Ok, podemos seguir.

 

CUMA!?

 

Eu não estava pronto pra isso!

 

Vocês tinham que o ver caindo do telhado. Foi como ver um filme trash tipo B! Bom, esse é um filme trash tipo B... Mas pelo menos usem um pouco de dinheiro pros malditos efeitos especiais, droga!

 

Os empresários são todos fatiados enquanto o DEABO se delicia com o jantar e ao fundo temos os efeitos sonoros de gore mais toscos que a história do cinema já ousou usar. Por sorte, no meio dos mortos tinha esse cara.

 

Cara, se eu tivesse um corte de cabelo assim eu pagaria pro Vega me fazer em pedaços com efeitos sonoros de mutilação toscos! E olha que essa é uma terrível maneira de morrer... Com efeitos sonoros toscos? Cruzes!

 

Ainda em Bangkok, conhecemos uma dupla de policiais tapados com pose de badboy.

 

...Nina da Homicídios...

 

E Nash da Interpol, que cá entre nós tá mais pra um personagem de American Pie.

 

Sim, ele está olhando pra bunda seca dela e imaginando coisas, não que ela se importe.

 

Espera...

 

...

 

Oh, droga, ele É um personagem de American Pie.

 

Mas que diabos, acabaram de conseguir o elenco aleatório mais sem sentido da Terra!

 

Você tem que ver a atuação desses dois. Em nenhum outro lugar você verá alguém interpretando desse jeito.

 

Isso era pra ser dois policiais frios e calculistas analisando um caso com cabeças decapitadas?

 

A Loucademia de Polícia é mais fria e calculista que isso!

 

Alguém precisa avisar pra esse Chris Klein que o Oz é personagem de outro filme e que ele já pode ajeitar os ombros e andar como uma pessoa normal. E quanto a Nina... Eu sei lá, tudo nela é falho. Alguém fala pra ela entrar na próxima novela dos Mutantes.

 

Voltando... o DEABO entra na cela do papi da Chun-Li pra chantageá-lo mais uma vez. Ou ele trabalha, ou Chun-Li corre perigo, e ele concorda.

 

O plano do DEABO é comprar as favelas desvalorizadas pela violência que ele próprio fez, transformá-las em centros empresariais e vendê-las muitíssimo mais caro. Claro, isso vai tirar a moradia de milhares de tailandesinhos, mas tá tudo ok.

 

E quanto ao papi da Chun-Li, pra alguém que consegue ser nerd da ciência e mestre da pancada, é uma atitude bem egocêntrica, não acham?

 

...

 

Tá, e o que vem depois disso?

 

Ç_Ç

A mãe da Chun-Li morre e ela está se despedindo com incensos no velório.

 

A mãe da Chun-Li morre...

 

ESSE FILME TEM COMO FICAR PIOR!?

 

O mais estranho é a reação da Chun-Li. Ela de alguma maneira conclui que a morte da mãe dela tinha alguma coisa a ver com aquele pergaminho. Como ela chegou a essa conclusão, nunca saberemos.

Bah, eu prometi resumir, mas esse filme troca mais de cenas do que a Mary Jane de namorados. Então vamos terminar o post por aqui e continuar no próximo.

 

God, enquanto isso deixa eu preparar uma limonada, um hambúrguer, e jogar uma dose dupla do verdadeiro Street Fighter e Kingdom Hearts.

 

Só um combo de Capcom, Disney e Final Fantasy podem me reanimar agora.

 

Até a próxima!