por Otto Cerqueira Comentários


Bionic Commando foi um dos games que mais me divertiram na época dos 8bits. Era um game simples, difícil, revolucionário e bastante divertido, principalmente quando se jogava em dupla. Aproveitando-se do clássico, a Grin (desenvolvedora de games como Ghost Recon, Wanted: Weapons of Fate e Terminator Salvation) apostou todas as fichas no título, prometendo um novo e espetacular game.

Como se apenas isso não fosse bastante para atrair o público, tiveram a excelente ideia de antes do novo game lançar Bionic Commando Rearmed, uma versão bastante melhorada do Bionic Commando de 1988. À medida que novos vídeos surgiam do novo Bionic, maiores as expectativas do público. Agora finalmente ele aterrissou para Xbox 360, PS3 e PC. Mas será que cumpre o que promete?


A história se passa dez anos após os acontecimentos do NES (Nintendinho), e Super Joe, protagonista original da série (com exceção da primeira versão NES), dá lugar a Nathan Spencer. Spencer é um dos bionic commandos, agentes com braços biônicos que trabalham para o governo. Após ter falhado em sua missão, ele é traído e injustamente acusado pelo governo, e todos os outros bionic commandos são obrigados a ceder suas partes biônicas.

No entanto, pouco antes de sua execução uma arma experimental explode na cidade fictícia de Ascencion City, culminando num terremoto unido a radiação que destrói toda a cidade e seus habitantes. Os responsáveis pela ativação da bomba são o grupo terrorista Bio-Reign. Assim, seu comandante Super Joe, - conhecido atualmente como Superintendente Joseph Gibson – manda Nathan numa missão para recuperar a outra bomba de destruição em massa que está perdida, antes que os terroristas a encontrem. Em troca, sua sentença de morte será negada e ele ganhará a liberdade.


O jogo começa com Nathan a procura de seu braço biônico, que havia caído numa outra parte do prédio. A intenção, obviamente, é te mostrar a importância das armas contra os inimigos. Após recuperar o braço e uma breve sensação do jogo, você é levado para um treino, onde no papel de Super Joe, aprende os requisitos mínimos para dominar o braço biônico. No entanto, o treino não é suficiente. Controlar o braço mostra-se uma tarefa um tanto difícil e necessita de um tempo razoável, mas após pegar o jeito fica muito mais fácil.

Finalmente de volta ao jogo, você pode realmente vê-lo como ele é. A primeira coisa a se notar são os gráficos lindos e embasbacantes que te fazem lembrar que você está jogando um game de última geração; só que o jogo para PC não conta com opções para diminuir os gráficos (somente a resolução da tela), por isso se você sofrer algum lag terá que conviver com ela, felizmente esse não foi o meu caso. A trilha sonora à la herói americano é inspirada no game original, mas com toques de “missão impossível” para combinar com o estilo badass de Nathan. Após isso, surgem os problemas.


Ascencion City é uma cidade bastante interessante. Os cenários apocalípticos são um atrativo para explorá-la com seu braço biônico, mas, o alcance da corda é curto e a movimentação de uma balançada para outra pode ser mais complicada do que deveria. Mesmo após controlá-la perfeitamente, é quase impossível negar que os games do Spider-Man tem um sistema muito mais inteligente de andar com cordas.

Talvez como forma de focar no braço biônico, o jogo conta com poucas variedades de armas e munição ínfima. A falta de balas é um problema chato, mas não pior que os tiros sem graça e desinteressantes. Os inimigos são estupidamente fracos para Nathan, morrendo facilmente com qualquer coisa. Em contrapartida, a resistência de Nathan é ridícula.

O maior problema do game está na cidade, ou na falta dela. Quando o game foi anunciado, tivemos a promessa de correr livremente em missões open world (mundo aberto), o que ocorre é justamente o contrário. A radiação da bomba é a fraqueza do braço biônico, mas isto é apenas uma desculpa para limitar onde podemos ir. O que acontece é que uma fumaça azul (que pela lógica deveria ser verde) te mata quase instantaneamente após ultrapassar áreas radioativas. E as áreas radioativas são tantas que você tem um game linear. Nem sequer te é permitido ficar no alto de um prédio, e muitos outros prédios são impregnados com radiação.


O jogo conta ainda com o modo online. O modo online é bastante similar ao offline. Você controla um bionic commando colorido em um mundo bem mais livre - apesar de não muito grande – do que o próprio jogo. Mesmo com as armas ruins, livrar-se da péssima inteligência artificial dos inimigos e lutar contra pessoas de verdade deixam tudo muito mais atrativo.

A fonte dos problemas de Bionic Commandos está no aproveitamento que a Grin poderia ter feito, mas não fez, por puro desleixo. Um jogo promissor, quem sabe fosse até inovador, foi jogado por água a baixo. Não é de todo um desastre, mas infelizmente, é apenas mediano.