por Otto Cerqueira

Era hora do rush quando ele adentrou o trem junto com a multidão. Segurava-se numa barra enquanto na outra mão estava sua pasta de executivo. Não há muito espaço para movimento. Ele se preocupa com o horário que chegará ao serviço enquanto amaldiçoa a quantidade de passageiros. Então balança a manga do terno e olha o relógio. 6:59.

Ele assiste a paisagem urbana pela janela.

Passado algum tempo, estranha a demora de chegar à próxima estação. O mostrador eletrônico do trem, que fica acima de cada porta, serve para indicar o local para onde se está indo, e, se ele não estiver enganado, o dispositivo parece ter mudado a localidade. Ele não se recorda de terem parado em momento algum.

Ele olha ao redor e nota que estão todos bastante quietos, então se vira e observa o display mais uma vez. Fora alterado. Logo, isso passa a ocorrer numa frequência crescente. A cada vez que pisca, um novo lugar é exibido na tela, até que endereços variados começam a girar no painel eletrônico.

Incomodado pelo erro, se vira e toca no ombro de um passageiro para falar com ele, mas é totalmente ignorado. Ele mentalmente o xinga e chama a atenção de uma mulher trajada elegantemente. Ela também age com total indiferença. Ele se sente ofendido.

É quando estranha que, de alguma forma, estavam todos de costas para ele, formando um perfeito círculo, como se ele fosse um artista focado por holofotes num palco.

Ele ouve o choro de uma criança e se esgueira por entre a multidão, que passa a apertá-lo mais, e sai à procura dela para ajudá-la. Ele a vê e fica ao seu lado de cócoras. A garota chorava de costas para ele e de frente para a parede do trem. Estava encurvada, abraçando suas pernas e segurava uma boneca com cabelos raspados. Quando ele pergunta se ela está bem, ela se vira. Sua pele estava costurada numa perfeita linha que completava toda a silhueta de seu pequeno corpo. No lugar de seus olhos, havia botões de boneca que ainda não estavam totalmente fixos.

Horrorizado, ele empalidece e cai de costas, tentando se afastar dela e movendo-se para trás. É quando toca um passageiro e olha para cima. Agora era possível ver a frente da bela moça que vira mais cedo. Toda a fronte de seu corpo estava esmagada por trilhos de trem. O crânio rachado exibia uma parte do interior. Uma espécie de musgo viscoso escorria por sua face até tocar sua boca disforme e gotejar no chão ao seu lado. Seus dedos e caixa torácica estavam quebrados, e ela mantinha-se em pé, mesmo com as pernas esmagadas.

A cena se repetia em todos os demais e em diversas formas diferentes. Era surreal e grotesco demais para ele, que sequer tinha fôlego para gritar. Ainda na mesma posição, pôde ouvir um pequeno ranger de ossos vindos do pescoço da mulher. Ela se esforçou em olhar para baixo, seus lábios formando a sugestão da palavra “Fuja”, mas quando o musgo que escorria por sua boca respingou em seu ombro, fora o suficiente para despertá-lo do seu transe. Levantou-se rápido e desajeitadamente seguindo uma direção aleatória.

Deparou com uma porta que dava acesso à travessia para o outro vagão e abriu-a com pressa. O trem passava por um túnel. Havia um pequeno vão com uma passagem estreita no intervalo de um vagão para outro. Mantendo sua pasta a mão, ia passar para o outro lado quando o trem acelerou de forma descomunal. A velocidade abrupta retirou seu eixo de equilíbrio e ele foi jogado para o lado, no sentido da curva, perdendo apoio com um dos pés e soltando uma mão, que inutilmente caçava apoio. Ele facilmente cairia nos trilhos que corriam velozes abaixo, não fosse por sua pasta, que ficara prendida na porta, mantendo um pequeno vínculo para que ele se sustentasse.

Fazendo esforço contra a pressão que a velocidade exercia, conseguiu tatear a parede de aço inoxidável do trem, seus dedos quase deslizando pelos filetes convexos. Com a outra mão, soltara a pasta, que fora estraçalhada na parede entre túnel e o trem, mas agora estava livre para agarrar seguramente a porta. Com certa dificuldade, voltou com os dois pés à plataforma para só então passar para o outro lado e entrar no vagão. O coração batia descompassado.
Só quando conseguiu fôlego novamente pôde sentir o cheiro pútrido no ar. O vagão estava preenchido por um misto de fedor animal, suor, fezes e carne podre. Era na verdade um antigo trem cargueiro de animais, que estava atualmente superlotado de uma quantidade imensurável de pessoas cadavéricas e esquálidas.

Tinham a mais profunda aparência anêmica e faces depressivas. Alguns choravam, outros grunhiam, mas a maioria não tinha força para falar. Usavam roupas de época, provavelmente anos 50, com tons de marrom e cinza sujos e desbotados. Não usavam sapatos.

Com o que lhe sobrara de sanidade, ele concluiu que deveriam ser judeus do Terceiro Reich. A Solução Final. Se isso era ou não possível já não fazia diferença. Nada mais importava além da sobrevivência. Com nojo, se espremia por entre a multidão para tentar chegar ao outro lado. Olhos o seguiam.

Na verdade, sua mente confusa já não sabia sequer se estava seguindo em direção a seu objetivo, o maquinista, mas ele tinha de ir a algum lugar. No entanto, ao chegar ao outro lado percebeu o pior, não havia porta.

Como um comboio cargueiro antigo, era todo feito de madeira e só havia uma entrada lateral, que era trancada do lado de fora. Ele não sabia o que fazer.

Um polonês estava deitado numa rede fixada nos cantos do teto, próximo a uma janela. Havia um pequeno movimento abaixo dele. Tentavam ganhar espaço jogando os falecidos pela minúscula janela retangular.

Ele viu um idoso inerte sendo levantado por alguns poloneses e endireitado pelo homem na rede, até ele passar lentamente pela janela. A cabeça, o tronco, as pernas, e finalmente ele sumira.

Se ele não quisesse ter o mesmo fim, aquela teria de ser sua fuga.

Abrindo passagem, seguiu até o lugar e deu um pequeno salto em direção à janela. Forçou-se para cima e foi passando o corpo pelo pequeno buraco. Do lado de fora, o trem fazia um loop em direção ao topo de uma íngreme montanha. O cenário impossível remontava a algum momento da era feudal europeia, com campos de plantação, uma vila remota, e, um pouco mais distante, um imenso lago nebuloso.

O único apoio para suas mãos eram pequenos vãos entre as tábuas de madeira do teto. Mas ele não teria conseguido subir, não fosse pelo auxílio dos judeus que do lado de dentro davam base para seus pés.

Cautelosamente escalou para a superfície côncava. Seu cabelo esvoaçando uniforme, o vento tentando o derrubar. Semicerrou os olhos e rastejou para frente, procurando manter o corpo rente à madeira. Quase chegou a um desgaste físico. Seus dedos doíam tanto que dava vontade de simplesmente soltá-los, e a ligeira curva que o trem fazia, unido ao desconfortável balançar, o obrigaram a fazer uma pequena pausa para prosseguir. 

Foi nesse momento que olhou para trás e notou uma haste de madeira, com um suporte para uma garra no topo, alinhada com o centro do trem. Era um poste de coleta e iria derrubá-lo colina abaixo caso ele não se apressasse. A adrenalina do momento o fez esquecer toda a fraqueza que sentia. Seus pés deslizaram um pouco para o lado, mas ele se manteve razoavelmente firme e conseguiu descer pela borda momentos antes da garra passar rente a sua cabeça.

Abriu uma porta enferrujada e entrou no vagão. Sem forças, caiu sentado com as costas para a porta. Respirava avidamente, o ar parecia rasgar-lhe o pulmão. Seus músculos flácidos enviavam sinais de fortes dores a seu cérebro. Ele nem tentou mexer os braços e pernas que estavam levemente inchados por culpa do balançar arrítmico do trem. Algumas dobras de seus dedos sangravam e estavam cheios de fiapos.

Ele estava sujo, com vestes rasgadas, e bastante tonto graças a falta de oxigênio. Mas estava vivo. Riu-se, e a falta de ar o fez tossir duas vezes.

Enquanto se acalmava, olhou ao redor. Dessa vez era um vagão Maria Fumaça de ferro, bastante envelhecido, com fileiras de cadeiras em formato de U de estofas rasgadas e porosas. As janelas eram largas, imundas e com algumas trincas.

Ele já tinha forças para levantar. Apoiou-se numa haste de ferro e levantou-se devagar. Agora que seus ouvidos estavam parando de zunir, conseguiu ouvir o ranger de um abrir de portas. Um homem velho, com rosto sujo de carvão e barbas cinzentas entrou no recinto. Sua vestimenta o denunciava como o maquinista. Segurava uma pá firmemente com as duas mãos e estava a poucos metros dele.

Por um momento, ele pensou em pedir ajuda, mas olhou melhor para o rosto inexpressivo do maquinista e estava evidente que se encontrava em perigo. O maquinista abriu a boca e expeliu um silvo estridente como um apito. Então veio em sua direção lentamente, fazendo questão de quebrar um a um os vidros da janela pelo caminho.

Contrariando a situação, não foi medo o que ele sentiu, mas sim o mais puro e profundo ódio. Já não era uma questão de sobrevivência, ele simplesmente não poderia perder depois de tudo o que passara.

Ele terminou de se levantar e foi em direção ao maquinista. Quando estava próximo, o maquinista desceu a pá num movimento curvilíneo, mirando suas pernas. Mas ele era mais jovem e fervoroso e rapidamente aproveitou o espaço livre da pá para agarrá-la e jogar a força do maquinista contra ele mesmo, que caiu sentado numa cadeira.

Enquanto isso, ele soltou as amarras de um antigo extintor de incêndio de uma das paredes. No entanto não fora rápido suficiente para escapar de um ataque na coluna, que o fez bater na parede, mas se virou a tempo de se proteger de um ataque frontal, utilizando o extintor como escudo.

Então ergueu o extintor no ar e completou um eficiente golpe direto no crânio do maquinista, que se rachou. O maquinista cambaleou para trás, bateu o pé numa quina e escorregou para fora da janela que ele mesmo havia quebrado.

Finalmente a salvo. Andou cambaleante e zonzo para a sala de controle. Puxou o freio de emergência e se segurou. Mesmo assim, a parada brusca e a pouca resistência o fez tombar para frente e ele bateu a cabeça numa quina.

Desfaleceu.

Pareciam ter passado várias horas até que ele conseguisse distinguir os zumbidos que ecoavam em sua mente. Suas pálpebras abriam lentamente. Sombras de pessoas desconhecidas o circulavam. Ele se esforçava em raciocinar, mas não conseguia. Uma bela mulher apareceu foscamente frente a seus olhos. Ele reconheceu como a mulher trajada lindamente de antes, mas estava sem qualquer vestígio de ossos quebrados e fraturas expostas.

Pôde sentir as mãos dos paramédicos o levantando e colocando-o numa maca. Tentavam lhe dizer que ele havia batido a cabeça e desmaiado, mas ele sabia que isso não era verdade.
Antes de atarem seus braços e pernas, fez esforço para visualizar o relógio de pulso. Ele sorriu.

Eram sete e trinta.
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por Otto Cerqueira



Meg não era dessas garotas como se vê hoje em dia. Não gostava de coisas fofas e certinhas, meiguices e obediências. Mas ao contrário do que se possa parecer, ela era solitária. Ficava em seu quarto sombrio horas a frio desenhando num papel colorido. Imaginava-se com uma companheira que a seguisse em suas traquinagens. Pegavam todos os lápis de cores das colegas de escola e jogavam na descarga, colocavam chicletes em seus cabelos, ou retiravam todos os fios de cabelos de suas bonecas só para demonstrar como as bonecas de Meg eram muito melhores.

De fato, as bonecas eram as melhores amigas de Meg. Ela os amava mais do que ninguém. Gostava de acariciar seus rostos, ajeitar seus cabelos e as colocar para dormir. Era o carinho e as irmãs que sua mãe nunca havia lhe dado.

Suas bonecas eram especiais. Sempre que ganhava ou pegava uma de alguém, gostava de tornar cada uma única. Maquiava seus rostos com faces brancas e maquiagens pesadas de tons escuros ou vermelhos. Picotava um pouco das saias e penteava seus cabelos com força o suficiente para deixa-las tão lisos quanto pudessem ficar. Sua família estava completa.

Ao contrário de suas bonecas, Meg vestia-se com muita delicadeza. Tinha porte altivo de madame em sua saia cor-de-rosa e bochechas rosadas. Tudo para manter a aparência de menina-moça e evitar a responsabilidade das coisas que fazia. Seus pais nunca estavam em casa, por isso ela tinha bastante liberdade. Mesmo as ligações da diretoria chegavam a demorar dias para serem respondidas.
Num dia como qualquer outro, acordou e subiu no banquinho para escovar os dentes. Vestiu-se sozinha. Colocou os laços nos cabelos loiros e estava pronta. Entrou no carro e foi levada por sua babá até a escolinha para a parte mais entediante do dia.

Lá chegando, percebe um montinho de garotas a cochichar. Há uma novata na turma e ela parece ter se enturmado em pouquíssimo tempo. Estão todas felizes falando de coisas bobas e divertidas. Meg desce rapidamente do carro e segue direto para o círculo de meninas, entrando bruscamente no meio para ver a recém-chegada. Ela era linda. Cabelos cor-de-mel, olhos castanhos e boquinha no formato de um coração. Meg a detestou instantaneamente. Fez aquele olhar de advertência para deixar bem claro que não havia espaço para uma nova estrela e foi embora.

Durante a aula, todas as atenções, inclusive a dos professores, continuavam voltadas para a inteligente nova aluna que parecia entender de tudo em todas as coisas. Era como uma declaração de guerra direta para a Meg. Era necessário tomar providências.

Decide fazer exatamente o que suas irmãs de pano faziam em seus desenhos, como se estivesse em sua companhia. Como sempre ficava só nos rápidos intervalos entre aulas, daria tempo para completar seus intentos.

No primeiro, pegou lápis coloridos da nova garota de sua mesa e os jogou na privada. Esperou ansiosamente pela sua chegada. Quando a garota retorna, fica triste pelo sumiço de suas coisas. Então as outras garotas se compadecem e compartilham, passando a colorir juntas, e deixando Meg ainda mais irritada.

Frustrada, Meg espera pelo segundo intervalo para revistar rapidamente a bolsa da garota. Fica surpresa ao encontrar uma boneca. Era perfeito. Pega a tesoura e corta um pouco de seus cabelos e coloca chiclete neles. Volta rapidamente para seu lugar, ajeita a saia e senta-se com sua carinha de anjo.

As garotas voltam animadas e falando alto, mas se calam ao verem a estranha boneca em cima da mesa da nova amiga. A recém-chegada calmamente anda até sua mesa e pega sua boneca. Acaricia seu rosto e olha para seus cabelos destruídos. Suas pupilas se enchem de água. Ela soluça e aperta os olhos para evitar chorar. Suas companheiras dão passos apressados em sua direção para acalmá-la. Elas se abraçam. Por um momento, Meg podia jurar que a garota a olhara com profundo ódio. Mas um monte de cabecinhas a cobriram, e passado alguns instantes elas ficaram ainda mais felizes brincando todas juntas enquanto faziam lição.

Hora do recreio. Frustrada por suas falhas, Meg anda apressada e em passos curtos até o campinho de areia. Ela não gostava de ir lá porque ficava toda suja depois, mas hoje tinha sido um dia terrível e ela precisava de um espaço para ficar só.

Enquanto isso, a garota de cabelos cor-de-mel se despede de suas amigas, dizendo a elas que as seguirá em breve. Agora estava sozinha na sala. Verifica pela janela e encontra Meg escondida no campinho de areia, olhando em direção ao nada, e, se sentindo segura, abre sua mochila. Retira uma série de desenhos horríveis e nefastos, dentre os quais, todas as coisas que ela passou hoje. Estava óbvio a culpada das coisas que viera sofrendo neste primeiro dia. Pois tudo que ela faz é pegar a sua boneca e a esconder lá no fundo da mochila. 

E vai embora.

Terminado as aulas vai cada uma para suas casas.

Meg fica chateada o resto do dia, pensando em seu azar. Se ao menos as coisas pudessem ser diferentes... E ela tivesse sua mãe sempre com ela... E irmãs para brincar. Por que tudo tinha que ser tão difícil?

Chegando a noite, ela arruma suas coisas para o dia seguinte. É quando nota a boneca daquela garota dentro da sua mochila. Que estranho... Mas, como o que é achado não é roubado, ela coloca a nova companheira junto com as suas bonecas de cabelos lisos. E vai dormir.

Durante a noite ela se remexe na cama. Não consegue dormir direito.

Imagina todas as suas bonecas a observando com seus olhos de botão rindo de forma sinistra. Elas a seguram pelos braços e a amarram na cadeira. Pegam um pente e escovam seu cabelo com força suficiente para fazer sua cabeça doer. Ela queria massagear os cabelos, mas as amarras a impediam. Quando olha para as bonecas novamente, estão todas mascando chiclete. Cada uma cospe uma goma diferente e coloca em seus lindos cabelos. Não era suficiente, decidiram que um corte cairia bem e picotam seu cabelo assimetricamente.

Horrorizada, começa a se mexer na cadeira. Tudo que conseguiu foi cair de costas, mas foi suficiente para libertar suas mãos. No entanto, não fora rápida o suficiente e as bonecas surgem novamente, com um monte de lápis de cor úmidos para rabiscá-la. Ela protege o rosto com as mãos e fecha os olhos com intensa força.
É quando ela acorda.

Ela respira profundamente, o coração ainda se acalmando. Os olhos arregalados e a pele pálida. Foi o pior pesadelo que tivera na vida. Ela olha ao redor tentando se habituar, e é quando nota que nenhuma de suas bonecas estava em seus lugares.

Meg sente seu cobertor sendo puxada e o pavor toma conta de seu rosto. O cobertor se torna cada mais pesado então ela o segura com força para perto de si, tentando cobrir-se. Estava congelada de medo. Então uma mãozinha de pano aparece na ponta de sua cama. E mais outra. E mais outra. Logo todo um clube de bonecas góticas sobe na sua cama. Elas se viram e agacham para ajudar outra boneca subir.

A boneca de plástico tinha cabelos picotados e cheios de chiclete. Segurava uma tesoura numa mão e uma agulha noutra, prontas para costura. Logo atrás, suas amigas a auxiliam segurando linhas e botões.
Meg ficou olhando, assombrada, enquanto aquelas pequenas criaturas iam a sua direção, totalmente indiferentes a qualquer outra coisa. E sabia, como ninguém poderia saber, que não demoraria até se tornar uma delas.
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por Otto Cerqueira



Com o advento da minha faculdade e o trabalho, meu tempo vai ficar bem curto para postagens. Por isso é provável que farei somente um post por semana, talvez dois.

Recentemente assisti o anime Eve no Jikan e então decidi divagar sobre esse enigma que é a relação homem-máquina, uma preocupação comum do homem com seu futuro. E por se tratar de futuro, terei de fantasiar em algumas partes para poder prosseguir, e à medida que o farei trarei assuntos relacionados para melhor compreensão.

O que me fascina sobre o tema é que se uma máquina tiver independência fisiológica e capacidade de assimilação de dados, ou melhor, raciocínio próprio, o que de fato o separaria do homem? Tais questões teriam deixado o "Cogito, Ergo Sum" de Descartes uma confusão.

Em minha opinião nosso corpo é "só" uma carcaça. O que somos de verdade está no cérebro; motivo pelo qual não há necessidade de espírito, essa é uma visão de faz de contas a qual tantos se apegam para não perderem seu sentido da vida. Contanto que essa imagem de espíritos dê forças para a pessoa, não há problema, no entanto é muito frequente casos em que isso os impede de se aproximarem da verdade. Aliás, a noção de espírito está intrinsecamente relacionada com o pudor sobre o assunto homem-máquina, como direi mais a frente.

Numa pequena história, alguém se apaixona por outro alguém que é deficiente e por isso usa uma prótese na perna. Essa paixão é errada? De forma alguma. E se levarmos mais afundo e, num acidente fatal, nosso corpo pudesse ser literalmente substituído - mantendo apenas o cérebro e a coluna vertebral – dessa vez seria errado se apaixonar por essa pessoa? Eu não vejo deste modo. Em sua essência, ela é tão humana quanto nós.

Se o motivo for o "calor" do corpo, vamos viajar para uma época em que a pele foi perfeitamente reproduzida. A relação seria errada simplesmente porque seu interior é feito de hardware e não de organismos? Mas, sendo o hardware uma criação nossa - como os ‘semideuses’ que somos - ela não se torna algo natural?

Vamos esclarecer o seguinte: uma flor de plástico não é uma flor de verdade, tampouco o suco em pó é como o natural (já que depende da essência do natural para existir). Falo de um caso em que um ciborgue é completamente independente. Afinal, cuidar de um corpo cibernético que pode perfeitamente raciocinar por conta própria e viver como um de nós, não é tão normal como criar um filho? Ou seria a copulação o único meio racional (fora adoção) de se ter filhos?

Provavelmente tudo isso é apenas o início da verdadeira questão, que não é o corpo (ou hardware) e sim a mente (software). Até agora cogitei sobre uma troca de corpo mantendo aquilo que muito dificilmente terá substituto, o cérebro, mas se por ventura essa máquina humana - que é mais incompreensível que o próprio universo – venha a ser recriado, o que seríamos nós então? Qual seria o nosso diferencial?

Essa visão de que alguém possa ser igual a nós é o cerne do medo e do preconceito. Ninguém pode tomar nosso lugar. A questão do "artificial" vem em segundo plano, ofuscando o primeiro. Mas por que esse "artificial" é algo tão horrível? Isso lembra o debate sobre clones, que foi fortemente combatido pela Igreja, sendo esta, leiga, incapaz de perceber que é impossível clones serem exatamente iguais a suas origens. Você já viu um irmão gêmeo idêntico matar o outro só por serem iguais em aparência? Eu, por exemplo, tenho um amigo que em comportamento é muito parecido comigo, e mesmo assim não tenho qualquer vontade de subjugá-lo para ser o único.

Então, temos um medo de sermos substituídos e “não mais amados”. Mas qual seria a origem desse temor? Vamos ter que dar uma pausa em relação ao homem-máquina e voltar ao que eu disse anteriormente sobre o espírito para isso.

O homem desde sua origem imagina o que há além do que se pode ser visto, ou seja, de onde veio e para onde iria após a morte. Mas éramos ainda muito novos, não podíamos compreender, então criávamos histórias para tentar eliminar nossas dúvidas.

Há muito tempo, cansados depois de uma longa caçada, deitávamos sobre o campo e olhávamos para o céu. Naquela época simplesmente não tínhamos noção do que era o céu. Nós dormíamos sobre uma magnífica lua... Enquanto dormíamos, sonhávamos, e estas imagens oníricas eram tão estranhas para nós que em muitas crenças imaginavam que durante o sono nos transportávamos para fora do nosso corpo.

De fato às vezes temos sonhos tão estranhos que não parecem terem sido nossos. Da mesma forma é difícil vermos nosso cérebro como o que nós somos, nos parece algo a parte de nós. Ora, essa sensação de algo “a parte” não é justamente o que entendemos por nosso “espírito”? Veja, na fantasia temos o espírito (algo puramente hipotético sem qualquer base) e no outro temos o cérebro (um fato). Associando o primeiro a religião e o segundo a ciência notamos que ambos são na verdade, duas faces da mesma moeda.

O mito é o início da ciência. Mas sozinho o mito será sempre uma mentira, enquanto a ciência é sempre um caminho para a verdade. Acontece que as pessoas acreditam que se somos “só” cérebro, sem um toque de magia, somos menos especiais do que deveríamos ser, e isso entra em conflito direto com a razão pela qual vivemos. Mas uma tênue linha de engano leva a outra muito maior: saber como algo funciona não o torna menos especial. O que há de errado em sermos “só” cérebro? Seremos ainda os mesmos. Não importa a vida após a morte, mas o que se faz durante ela. Enquanto ao menos um trecho disso não for desmistificado, continuarão a temer a tecnologia.

“Tecnologia é algo ruim. Vai contra Deus e sua criação, que é algo natural. Querem fazer clones! Querem que robôs sejam como nós! Não somos Deus e não devemos tentar imitá-lo!”. Olha, criar uma máquina de forma alguma vai contra qualquer lei de Deus. De acordo com a bíblia ele nos deu o livre arbítrio desde que sigamos seus mandamentos. Eu vejo os mandamentos de uma forma que acredito ser muito mais prática: não prejudique ao próximo e nem a si mesmo.

Se criássemos um clone ou um ciborgue, ele iria nos prejudicar? Não. Para que matá-lo antes mesmo que ele tenha uma chance de viver? Se ‘imitar’ Deus fizesse com que ele deixasse de ser Deus, ele seria só um carinha muito medíocre.

Demócrito, por exemplo, desenvolveu a teoria do átomo. No entanto o átomo - que significa indivisível - se partilhava ainda entre prótons, nêutrons e elétrons; e quem sabe quanto ao futuro... O ponto é: continuamos dando a ele o crédito da idéia original, mesmo ela não estando totalmente certa, e a evoluímos. Por que então os crentes acreditam que desmereceríamos a Deus continuando o que ele começou?

Criar só consiste um problema quando interfere no “meu mandamento” de que algo não deve ferir a outro. Por exemplo, não é errado desmatar, mas desmatamos muito além do que poderia ser reposto e mal tentamos reconstruir o que fizemos.

Em suma, devo dizer que o transhumanismo é um benefício para o homem. Ampliaremos nossas capacidades e daremos felicidade aos deficientes que precisam de membros cada vez mais parecidos com os “normais”. Milhões de vidas beneficiadas... Quanto à substituição total de membros ou mesmo o surgimento de uma vida totalmente robótica, ainda é muito cedo para conclusões, mas mesmo assim arrisco que não haveria qualquer problema desde que seja feito na medida do possível.

Nos veículos midiáticos o tema aqui tratado é explorado por um nicho de pessoas que - como eu - gostam de assuntos cyberpunk. Tudo "começou" com Isaac Asimov e suas leis da robótica no livro Eu, robô e desde então conta com inúmeros sucessos. Nos livros temos a 'saga' Neuromancer; no cinema Blade Runner e Matrix, e nos animes e mangás Ghost in the Shell é o principal representante. Aliás, devo falar que Matrix é fortemente influenciado por GitS, tal como pode conferir aqui mesmo, mas já esclarecendo de antemão que não é um plágio. Os próprios irmãos Wachowski admitiram a inspiração.

Para não estender mais, devo recomendá-lo também Akira (a principal animação cyberpunk que existe), Cowboy Bebop, e Ergo Proxy que também trabalha com algumas filosofias, no entanto é mais para dar consistência a trama do que ser uma reflexão propriamente dita.




Curiosidade: Com o avanço da astrologia, descobrimos que a lua era responsável pelas marés e por moldar o calendário; sendo ela tão poderosa, não poderia controlar também o destino do homem? Acreditavam que sim. Por isso que até o século XX as pessoas que sofriam de doenças mentais eram chamadas “lunáticas”, já que sua doença era influenciada pela lua.
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por Otto Cerqueira

Era uma vez, uma garotinha preciosa. Sua amiga, a Princesa da Rosa Vermelha, estava sempre ao seu lado. Então, um dia, seu papai e sua mamãe morreram subitamente, e a pobre garotinha foi enviada para uma casa estranha...



Alguns jogos são lembrados por sua jogabilidade, outros, por sua história, e nesse segundo caso é que se encontra Rule of Rose. De fato, já passei da uma da manhã até o quase amanhecer só conversando sobre os fatos e as teorias que envolvem esse jogo. Mas vamos começar do início: RoR é um jogo de survival horror lançado em 2006 para PlayStation 2 que causou muita controvérsia no seu lançamento. Os boatos envolviam lesbianismo infantil e sepultamento de crianças vivas, o que devo adiantar que são duas mentiras hediondas.

A história se passa em 1930, numa área rural da Inglaterra, onde reside um orfanato chamado Rose Garden. Jennifer é uma frágil e meiga garota de 19 anos que está numa viagem de ônibus perto do local, até que um garoto se levanta de seu lugar, a mostra um pequeno livro de histórias e a pede para ler. No entanto, quando ela pega o livro o garoto foge, e ela vai atrás, perdendo o ônibus. O garoto entra numa estranha casa, ela o segue e acaba presa lá.

Ela alcança o garoto e ele mostra mais uma página do livro intitulado “Princesinha”:

“E a pobre garota foi enviada para uma casa estranha. Na sua nova casa, o Clube Aristocrático vivia sobre a Regra da Rosa.”

Em seguida o garoto some; foi se encontrar com as garotas no jardim que estavam a colocar um cachorro numa sacola e enterrá-lo num caixão. Quando Jennifer chega elas já não estão mais lá, então ela pega a pá, desenterra e salva o animal; mas as garotas reaparecem, a prendem no caixão, e a levam para algum lugar. E essa era a parte sobre “sepultamento de crianças vivas”. Primeira mentira descartada.



Pouco depois a Garota Sem Sorte (Jennifer) se vê presa num dirigível chamado Zeppelin. Lá vivem as crianças da Red Crayon Aristocrats (Aristocratas do Giz Vermelho), uma hierarquia que vai das classes mais nobres até a ralé. Alguns dos principais integrantes, de cima para baixo são: um garoto e seu urso; Diana, a Princesa Obstinada; Meg, a Princesa Esperta; Eleanor, a Princesa Fria; e nas classes mais baixas Amanda, a Pobre, e finalmente Jennifer, a Miserável. Todos eles vivem sob a Regra da Rosa, um juramento onde cada um prometeu contar sempre com o outro.

A exceção de Wendy, todas as crianças são antipáticas com você. Então para que você não seja punido pelo Clube dos Aristocratas, precisa ascender da classe mais baixa até a mais alta. O único jeito de conseguir é mensalmente entregando a oferenda pedida por elas, e enquanto isso, Jennifer desesperadamente tenta fugir dessa confusa fantasia.

Logo de começo você encontra um retriever labrador, o mesmo que você salvou, e de acordo com a coleira ele se chama Brown. Ele será seu fiel companheiro durante todo o jogo. Sem ele é impossível progredir, pois é ele quem fareja pelos itens. Não obstante, ele ocupa respectivamente os botões quadrado, triângulo e círculo do controle, responsáveis por dar ordens de parar, procurar pelo item e te seguir.

Os Imps (ser mitológico arteiro) estão por toda parte para impedir você de completar sua tarefa, e nisso entra o sistema de combate. Se você já jogou Silent Hill tem uma boa noção de como funciona; se equipa de uma faca de cozinha, um cano, etc, e golpeia o inimigo segurando R1 e apertando X. O combate é um pouco ruim, desconfortável, mas como em todo terror o que você deve fazer é fugir.

Um spoiler que irá ajudá-lo a entender a trama é que na verdade você está tentando relembrar uma promessa que Jennifer quebrou em sua infância. As lembranças, no entanto, estão caóticas e embaralhadas. Por exemplo, você não sabe que nenhum membro do Clube Aristocrático (fora a Jennifer) esteve no dirigível até encontrar os arquivos que te mostram isso.

Os temas polêmicos que o levaram a banimento em alguns países (inclusive o Brasil) se referem justamente á enigmas do enredo, mas a grande maioria deles é falsa ou meramente possível. O caso do “lesbianismo infantil”, por exemplo, é uma mentira. É verdade que há duas garotas que se amam, mas sem qualquer contexto sexual. Em uma das falas, por exemplo, uma garota diz a outra “Porque você se apaixonou pelo Brown...” - lembrando que Brown é o cachorro -, agora pronto, vão acusar o jogo de zoofilia também?

É... Como me disseram “Mas vai tentar argumentar...”.

Por fim, devo recomendá-lo a qualquer fã de survival horror que procuram um bom terror psicológico. Eu o joguei como se estivesse lendo um livro. De começo tudo parece confuso e desconexo, mas cada detalhe do jogo (cada um) está emaranhado muito bem na história. É do tipo de jogo que quando você termina e lembra aquele detalhe minúsculo, exclama “Ah, então foi por isso que...”, chega a ser engraçado, mas te deixa aquela memória boa toda vez que você lembra.


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por Otto Cerqueira

É, brasileiros realmente tem o dom. Um grupo de amigos geralmente se encontra pra sair, assistir um filme, jogar futebol ou coisa parecida, mas estes optaram por algo curioso: estudar animação e jogos. O resultado? Uma magnífica luta entre Terry Bogard e Kyo Kusanagi, que vocês conferem logo abaixo:





E pra quem curtiu e quer um bis recomendo um pouco de Street Fighter.
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por Otto Cerqueira

Campus Party 2010

Saiba o que rolou por lá!


Na internet e nos jornais de São Paulo o assunto tecnológico dominante é um só: Campus Party. E o que seria isso? Em resumo, é a “festa” da internet. Surgiu em 97, na Espanha, e desde 2008 tem acontecido também em São Paulo. A Telefônica forneceu internet banda larga de 10GB de conexão para proveito dos campuseiros.

No ano passado estive presente lá e me diverti com as atrações, especialmente com a apresentação do robô humanóide CP01, e com o estande de uma empresa de antivírus onde eu e meus amigos nos munimos de armas-laser e entramos num mini-labirinto escuro para derrotar vírus, trojans, worms (simulações luminosas nas paredes), e a equipe inimiga (que a propósito eram viciados em FPS e nos deram uma surra na pontuação).

Nesse ano, como no anterior, o local do evento foi o Centro de Exposições Imigrantes, na zona sul de São Paulo. Geeks de todo canto se encontram lá. Como o evento é 24hrs e ocorre durante uma semana, há um espaço especial para montarem suas barracas de dormir. Logo ao lado está a área VIP, que é o centro do evento. Lá se encontra diversos computadores top de linha e alguns com modificações bem interessantes, como esse:




Pois é, esse Kratos também é um computador. Logo atrás dele há um computador “Dharma”, um computador dentro de um gabinete octogonal de madeira, feito em homenagem a série Lost. Digo-lhe que é o máximo encontrar pessoas fazendo coisas que vocês também curte. Eu, por exemplo, encontrei gente assistindo Final Fantasy Advent Children e também papéis de parede de Serial Experiments Lain, um anime onde a internet se mistura com o mundo real. Engraçado que mesmo com a quantidade de computadores de torre no local, 76% dos PCs no evento são portáteis.




No entanto, é preciso tomar cuidado com certas pessoas que levam o PC para o evento somente para se exibir, e não digo no bom sentido da coisa. Esse é o caso de Éder Martins. Bem, esse é o cara com o melhor computador da América Latina. Seu computador vale 18 mil reais (obviamente, o melhor do evento), que segundo ele é três vezes mais que o valor de seu carro (6 mil). Por uma estranha coincidência acontece dele ser ex-amigo do meu melhor amigo. O motivo do “ex-amigo” vocês podem acompanhar pelos seus comentários na G1:
Quando perguntado se não valia mais a pena comprar um videogame, Martins se ofende. “Compare qualquer jogo em um console com um rodando no meu PC”, desafia. “Todos rodam com mais taxas de quadros por segundo, sem serrilhados e com mais resolução”
Pois é, o cara é um exibido. Não é como o pessoal que leva o computador pra se divertir no evento, ele simplesmente quer mostrar que é superior aos outros. Daí fica uma lição de vida para todos: Não usem seus bens para deixar os outros para baixo. Seja humilde, caso contrário, perderá seus verdadeiros amigos.


Bem, lições de vida à parte, ao redor do centro onde ficam os computadores estão os espaços para os mais diversos gostos geeks: modding, robótica, blog, design, fotografia, música, vídeo, games e simulação. Ufa. Em cada um desses lugares houveram palestras de importantes especialistas de cada área. Na de games houve competição de jogos de tiro e luta (Street Fighter IV), e na de simulação (bem ao lado) pessoas pilotavam carros de Fórmula 1 ou eram mais rápidos ainda e brincavam no simulador de voo.


Na área livre para o público diversas estandes de empresas mostravam o que tinham de melhor. Na da Telefônica, alguns computadores com internet de 30Mb e Playstations 3 com Fear 2 e Pro Evolution Soccer 2010 estavam à disposição. A Terra montou confortáveis bancos reclinados onde você podia se relaxar enquanto ouvia músicas do portal Sonora, você escolhe as músicas numa TV de 42” programado para touchscreen (que devo dizer é horrível de se mexer com o dedo). Eu na verdade fiquei boa parte do tempo no da Nokia, uma estande aromatizada: a cada cor, um aroma diferente, o que te faz se sentir dentro de uma caixa de Tic tac.




Além disso, no canto esquerdo havia alguns jogos bastante interessantes, entre eles: o Wiispray, onde se grafita uma tela com sua tinta digital; o simulador de voo corporal, onde se controla o avião deixando os braços eretos e movendo para esquerda ou direita; e também o Headbang Hero, uma espécie de Guitar Hero onde você usa uma peruca especial e faz o seu “bate-cabeça” ao máximo que puder para bater o recorde. Em caso de provável dor de cabeça, não se preocupe, há uma massoterapia ali pertinho.



O melhor de tudo para mim foi a apresentação do mundialmente famoso, o ilusionista digital Marco Tempest. Eu, que estava bem próximo do palco, simplesmente não consegui ver como ele retirou um iPhone da imensa tela atrás dele. Sim, eu disse o que você leu, e estou confuso mesmo tendo presenciado.

Enfim, esse foi meu resumo do que aconteceu por lá. É muito legal saber que eventos como esses tem tido sucesso no Brasil, o que por consequência vai ajudar a crescer o mercado tecnológico por aqui (e por sinal, a Sega já tem fabricante brasileira, ou seja, jogos muito mais baratos). Pra finalizar, um vídeo de Marco Tempest, já que mágica de verdade só se comprova vendo:



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